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	<title>Globonautas &#187; Laos | Globonautas</title>
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		<title>Pii Mai &#8211; O ano novo Laotiano</title>
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		<pubDate>Sun, 09 Mar 2014 17:33:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Joana Oliveira &#38; Nuno Pedrosa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[TV Globonautas]]></category>
		<category><![CDATA[Laos]]></category>

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		<description><![CDATA[De manhã bem cedo, quando o sol ainda mal ilumina as ruas, os monges budistas, tais sois, percorrem as ruas na missiva das almas, recolhendo as oferendas que os crentes fieis depositam nas suas algibeiras (...)]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>De manhã bem cedo, quando o sol ainda mal ilumina as ruas, os monges budistas, tais sois, percorrem as ruas na missiva das almas, recolhendo as oferendas que os crentes fieis depositam nas suas algibeiras&#8230;mas chegando o calor do início da tarde, a coisa descamba e chamam-se as chuvas com muita água e alegria &#8211; O Pii Mai, ou o Songkran, como é celebrado na bucólica cidade de Luang Prabang, aqui captado pelas nossas câmaras em Abril 2013.</p>
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		<title>Adeus Laos e Kop Chai Lai Lai</title>
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		<pubDate>Thu, 02 May 2013 15:55:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Joana Oliveira &#38; Nuno Pedrosa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Histórias da estrada]]></category>
		<category><![CDATA[Laos]]></category>

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		<description><![CDATA[Não sem uma dose suficiente de adrenalina e mau cheiro quando logo no início o nosso timoneiro decidiu apanhar um peixe podre que estava a boiar no rio e o pôs debaixo da sua cadeira]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<h2>Falta de memória tem as suas vantagens</h2>
<h2><a data-postid="fsg_post_39" data-imgid="41" href="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/vang_vieng_friends-2.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-41" alt="vang_vieng_friends-2" src="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/vang_vieng_friends-2.jpg" width="800" height="451" /></a></h2>
<p>Ter-se memória fraca pode ser uma desvantagem, mas nem sempre…O Nuno por exemplo, cuja falta de memória é tão notória que às vezes receio que um dia acorde e não se recorde quem é a pessoa que dorme ao seu lado, neste caso eu, acabou por ter nesta desvantagem uma espécie de vantagem. Há 15 anos atrás, ou seriam há 16, ele não se lembra, esteve no Laos. Agora, de regresso, o país que guarda nas imagens enubladas da sua memória é um país totalmente diferente. E quer seja porque efectivamente já não se lembra de muitas coisas, sobretudo dos detalhes e dos sítios onde esteve, quer porque o país num curto espaço de tempo mudou quase irreconhecivelmente, o facto é que para ele a sensação foi a de estar num país novo.</p>
<p>Vang Vieng, por exemplo, onde chegámos dois dias depois de termos partido da capital, não podia ser mais diferente da pequena povoação por onde tinha passado há uns anos atrás. Nessa altura, quando o Laos tinha acabado de abrir as portas aos turistas, o que recorda é uma aldeia onde o alojamento era na casa das pessoas e poucos ali iam. Hoje em dia são mais de 120 os hóteis e “guest-houses”. Está desenvolvido de tal forma que é irreconhecível mesmo com muito esforço de memória. Mas este “ponto alto” no roteiro turístico do país já foi em tempos um paradeiro de mochileiros em busca de substâncias inebriantes e festas de lua cheia nas margens do rio Nam Song por onde desciam inebriados montados em tubos de pneus . Ao limpar a sua imagem, ficaram as descidas nos tubos pneumáticos, mas foram-se as drogas, pelo menos da forma explícita como eram consumidas no passado, e vieram também as massas de turistas asiáticos, com os seus chapéus exagerados de quem tem pavor do sol, e de quem não consegue viajar sem andar em matilha.</p>
<p>De cara lavada as ruas de Vang Vieng, para além dos muitos bares e restaurantes, estão cheias de carros com vendedoras ambulantes a tentar convencer os transeuntes a comprarem as suas panquecas de banana, ou a já habitual parafernália de souvenirs turísticos. E, do mais bizarro, das coisas bizarras que vimos até hoje no universo dos viajantes contemporâneos, foi a quantidade de restaurantes, com filas de assentos rasos almofadados, onde os mochileiros reviam hipnotizados, episódios da série americana “Friends” nos muitos ecrãs panorâmicos. Verdadeiramente surreal – ir até uma povoação nos confins do Laos para estar sentado em frente a um televisor a ver a série “Friends”. Será este um substituto às substâncias inebriantes? Que forma estranha de entorpecer a mente.</p>
<h2>De Vang Vieng a Luang Parbang – Arre, que não se vê nada</h2>
<p><a data-postid="fsg_post_39" data-imgid="42" href="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/fogo_joana-2.jpg"><img class="alignleft  wp-image-42" alt="fogo_joana-2" src="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/fogo_joana-2.jpg" width="400" /></a></p>
<p>Os 240 quilómetros de Vang Vieng a Luang Parabang podem descrever-se como vertiginosos e dramáticos, atravessados por uma estrada sinuosa que segue por entre vales e topos de montanhas. Levámos quatro dias a percorre-los, e quem se mete num autocarro, pode levar mais de nove horas. E sim, era dramático. Dramático o facto de que com tanta fumarada se ver tão pouco. No perfil do horizonte delineavam-se os contornos de várias montanhas de cumes aguçados em tons diferentes de cinzento conforme o seu plano na distância, que desapareciam da paisagem como se alguém tivesse usado uma borracha e as tivesse apagado.</p>
<p>No auge da época seca, e agora que o tapete de selva já não existe, queimavam-se as encostas para fertilizar as terras, no que é de qualquer forma um processo pouco sustentável para o fazer, e o ar, como consequência, era denso e coberto por uma neblina constante. Do céu caiam partículas de cinza como se um vulcão próximo estivesse em erupção. Chegávamos ao final do dia de ciclismo com a sensação de que o tínhamos passado com um cigarro na boca.</p>
<p>Aquelas eram as primeiras verdadeiras montanhas que davam trabalho às nossas pernas desde que havíamos entrado na Tailândia, há mais de 5 meses atrás. Mas agora que finalmente estávamos de regresso não podíamos usufruir das vistas. No entanto, outras recompensas aguardavam por nós. Ao quilómetro 81, a contar de Vang Vieng, chegámos a umas águas termais em Namekene, onde havia, convenientemente, alojamento barato onde decidimos tirar um dia para por o corpo de molho e apreciar a tranquilidade do sítio. Isto sim, ciclovagabundagem ao mais alto nível.</p>
<p>As noites seguintes serviram para dar uso à tenda. Numa ocasião sob a guarida de uns militares jovens que nos deixaram por a tenda num telheiro feito de bambu, o nosso sono foi interrompido diversas vezes pelos focos das motas dos amigos que lhes prestaram visitas nas horas mais infrequentes da noite. O despertar abrupto foi feito ao som de uns tiros matinais com um dos tropas à caça do pequeno-almoço &#8211; um esquilo magricela.</p>
<p>Outra noite, ao aproximar de um passe e do final do dia, rabiscámos quatro ovos e uns noodles, numa loja pouco apetrechada para a sua função. Tivemos plena noção de que éramos o acontecimento alto do dia no povoado, a julgar pela quantidade de miúdos, graúdos e canídeos que se assomaram às portas do pequeno estabelecimento para nos observar em plena transacção comercial.</p>
<p>Alforges semi recarregados, seguimos uns quilómetros para nos afastarmos da aldeia e pusemos a tenda na encosta da montanha, ouvindo ainda as vozes das crianças e o cantar dos galos, com o vale chamuscado aos nossos pés. De manhã fomos acordados com o som de chamas a lavrarem não muito longe do nosso acampamento. Desmontámos a tenda à pressa e seguimos nos últimos quilómetros até Luang Prabang.</p>
<p>E se a etapa até lá chegar havia sido marcada pelo fogo das queimadas nas montanhas, os dias que passámos na cidade seriam marcados pelo elemento oposto – água, e muita!</p>
<p><a data-postid="fsg_post_39" data-imgid="52" href="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/05/jux_luang_prabang-2.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-52" alt="jux_luang_prabang-2" src="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/05/jux_luang_prabang-2.jpg" width="1000" height="650" /></a></p>
<h2>Luang Prabang – Feliz Pii Mai</h2>
<p>Água, água e mais água, entranhada no corpo e na alma, possivelmente oriunda do Mekong, rio do qual nos despedíamos da melhor forma depois de quase três meses em que foi nosso companheiro de viagem, e que finalmente revelava também a sua cor acastanhada, pela qual é geralmente conhecido.</p>
<p>Chegámos a Luang Prabang recebidos de braços abertos por um dia de sol e céus azuis. E esta pequena cidade com laivos de aldeia grande, com o carimbo da UNESCO, arrecada da nossa parte a designação da cidade mais agradável de todo o Sudoeste Asiático. As suas casas de arquitectura colonial Francesa, as ruas estreitas de arbustos em flor, a miríade de templos dourados com desenhos de banda desenhada nas paredes, a pacatez e a tranquilidade interrompida apenas pelos muitos turistas que ali vão, os bares oásis com vistas para o Mekong de onde é difícil arredar pé…que mais desejar de uma cidade? Só que esta esteja no auge daquele que é o maior festival religioso – o ano novo Budista, Pii Mai, Songkram, o ano novo Laociano…</p>
<p>Muitos nomes, muitas facetas, mas sobretudo muita água. O pretexto é lavar a alma, o corpo, o ano velho, mas no processo, que começa geralmente de manhã com as intenções para as quais foi designado, como a cerimónia da lavagem dos budas, as procissões das oferendas das almas, onde linhas de monges nos seus trajes alaranjados recebem as ofertas dos devotos e as ruas se enchem de um silêncio solene e de gente.</p>
<p>À tarde a coisa descamba e é a guerra total. Da China vêem as metralhadoras de plástico de cores fluorescentes, tão mais prezadas quanto maior for o seu reservatório de água. Mas o armamento da facção local oferece uma clara vantagem, de mangueira em riste e com os baldes sempre cheios não há como vencer e o melhor mesmo é entrar no espírito e passear pelas ruas onde reina a loucura, de corpo encharcado e sorriso nos lábios. Depois há inevitavelmente muita beerlao, que como a água, não pode faltar, e música onde mais uma vez o refrão do “sexy lady” do sul coreano Psy se repete até à exaustão.</p>
<p>E assim foram as coisas durante cinco dias, e ao sexto, pudemos finalmente, percorrer as ruas com as roupas secas e sentir um pouco o que é esta cidade em modo seco e de volta ao seu estado normal que é &#8211; tranquilo.</p>
<h2>Kop chai, lai lai – Adeus e muito obrigado!</h2>
<p><a data-postid="fsg_post_39" data-imgid="53" href="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/05/vistas_do_ultimo_hotel-2.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-53" alt="vistas_do_ultimo_hotel-2" src="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/05/vistas_do_ultimo_hotel-2.jpg" width="427" height="640" /></a></p>
<p>Eat, eat! Drink the visky! Eat! Quem tinha o prato vazio voltava a ficar com ele cheio, quer quisesse ou não. E quem tinha o pequeno copo de aguardente de arroz no mesmo estado, voltava a ficar com ele cheio também. Há coisas na vida que não vale a pena contrariar, e hospitalidade genuína é uma delas.</p>
<p>Depois de Luang Prabang seguimos rumo à fronteira do Vietnam. Em Nong Khiaow apanhámos um barco rio acima para a pequena aldeia de Muang Ngoi onde passámos duas noites, e onde não ficámos mais tempo por recear não haver gente suficiente para que o barco saísse rumo à próxima aldeia nos dias seguintes. Foi pena, porque certamente não deve faltar muito para que esta pequena povoação mude de forma irreversível agora que a estrada a ligou ao mundo.</p>
<p>Depois de outra viagem de barco de seis horas, cénica mas muito desconfortável, não sem uma dose suficiente de adrenalina e mau cheiro quando logo no início o nosso timoneiro decidiu apanhar um peixe podre que estava a boiar no rio e o pôs debaixo da sua cadeira, o odor era tão nauseabundo que até os próprios locais que iam na pequena embarcação metiam a mão à boca quando o vento trazia lufadas do aroma pestilento. Para nossa surpresa, que pensávamos que o peixe em decomposição era para fazer isco, ficámos a saber que depois de seco, o peixe ia ser comido.</p>
<p>Mas o importante foi mesmo chegar a terra firme, porque para quem tinha a ideia que a melhor forma de navegar rápidos era numa embarcação de borracha larga com colete salva vidas vestido para o caso de alguma eventualidade, ficou a saber que com muita perícia, rápidos também se fazem em embarcações estreitas de madeira a abarrotar de gente e mercadoria, sem colete, mas com muita vida.</p>
<p>Em Muang Khoua, à procura de alojamento fomos abordados por um senhor bonacheirão que pouco ou nenhum inglês falava, a tentar convencer-nos a ficar na sua “guest-house” mesmo ali já ao lado. O Nuno, que não aprecia este tipo de aproximação tentou ignorar, mas eventualmente, na ausência de encontrarmos um sitio convincente onde ficar, fomos dar uma vista de olhos, e era verdade, ali estava o melhor alojamento da aldeia, vimos todos os outros e podemos comprovar. O nosso anfitrião oferecia quartos rústicos e muito limpos numa casa de madeira, pendurada sob um rio, com vistas para uma ponte suspensa peatonal usada por motas, e com vistas também para as traseiras da aldeia e a sua vegetação tropical que até a faziam parecer um sítio bonito e exótico.</p>
<p>Por ali paravam outros viajantes que acabavam de chegar, ou como nós, de partida rumo ao novo país, o Vietnam. Os jantares foram passados a partilhar histórias, aventuras, dicas, a beber e a comer ao toque das ordens do sr Mano e a acordar no dia seguinte com a boca seca, a cabeça meio a andar à roda, e com o anfitrião a bater-nos à porta com uma chávena de chá quentinho como que a adivinhar o nosso estado no dia seguinte. Manotham Guest House – altamente recomendado para quem ande por aquelas paragens remotas.</p>
<p>E foram mais dois dias a pedalar dali até à fronteira com o Vietnam, conseguindo sempre terminar o dia de pedaladas a tempo de evitar os dilúvios bíblicos com trovoadas tenebrosas que se abatiam no final do dia a anunciar o inicio da época das chuvas. Depois de dois meses de viagem bem preenchidos, dizíamos adeus ao Laos e sobretudo kop chai lai lai, ou seja, muito obrigado na língua desta gente afável e descontraída, da qual agora nos despedíamos.</p>
<p>Pela frente, um mês no Vietnam, duas semanas com a mochila às costas de encontro à Nela, a irmã do Nuno e o nosso amigo Jorge Montez. E mais duas semanas no norte montanhoso do país em cima das nossas burras. Para quem não tinha grandes expectativas, o Vietnam acabou por se revelar de forma surpreendente e inesperada.</p>
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		<title>Itinerário no Laos</title>
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		<pubDate>Thu, 02 May 2013 13:15:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Joana Oliveira &#38; Nuno Pedrosa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[A matemática da viagem]]></category>
		<category><![CDATA[Laos]]></category>

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		<description><![CDATA[De 28 de Fevereiro a 25 de Abril 2013
2003 kms pedalados
]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Data de entrada:  28 de Fevereiro de 2013</strong></p>
<h2>Estatísticas</h2>
<p>Dias de ciclismo 57<br />
Dias descanso: 29<br />
Kms pedalados: 2003<br />
Horas pedaladas: 152h 40m<br />
Km/dia (med): 71.5<br />
Altitude maxima: 1422m<br />
Desnivel acomulado: 13.890m<br />
Altitude/dia (med): 496m<br />
Noites em hotéis: 48<br />
Noites de campismo: 9<br />
Custos/noite (med p/p): € 2.35<br />
Gastos totais ( p/p): € 11.55</p>
<p>Furos: 0</p>
<p><strong>Sul do Laos</strong></p>
<p>Dia 416 Don Det &#8211; 94.1 kms<br />
D417 ao D419 Descanso, Don Det<br />
D420 Muang Khong, Don Khong &#8211; 22.6 kms<br />
D421 Champasak – 118.5 kms<br />
D422 Descanso, Champasak<br />
D423 Pakse – 54.4 kms<br />
D424 Descanso, Pakse<br />
D425 (Perto de) cascatas de Tad Fan – 48.2 kms<br />
D426 (perto de) cascatas de TadLo – 78.3<br />
D427 e D428 Descanso Tadlo<br />
D429 Muang Klong Xedon – 71.1 kms<br />
D430 (ao lado de) cemitério, Ban Nonoudom – 93.7 kms<br />
D431 Savannaket – 102.5 kms<br />
D432 (Mosteiro perto de) Ban Namanpa – 79 kms<br />
D433 Thakek – 52.7 kms<br />
D434 (Perto de) Ban Natoung – 54.5 kms<br />
D435 Ban Thalang – 73.6 kms<br />
D436 (Perto de) Ban Boungpatao – 65.1 kms<br />
D437 Konglor – 90.1 kms<br />
D438 Descanso, Konglor<br />
D439 Ban Lao – 90.2 kms<br />
D440 Paksane – 92.8 kms<br />
D441 Ban Hai – 87.3 kms<br />
D442 Vientiane – 63.8 kms<br />
D443 ao D450 Descanso, Vientiane<br />
D451 Phon Hong – 73.2 kms<br />
D452 Vang Vieng 87 kms<br />
D454 Descanso Vang Vieng</p>
<p><strong>Norte do Laos</strong></p>
<p>D455 Namekene – 81.2 kms<br />
D456 Descanso, Namekene<br />
D457 (Perto de) Houaysatap – 56.3 kms<br />
D458 (Perto de) Kiewmaknaoi – 58.5 kms<br />
D459 Luang Prabang – 45.4 kms<br />
D460 ao D464 Descanso, Luang Prabang<br />
D465 (Perto de) Houaykang 71.9 kms<br />
D466 Muang Ngoi Neua – 67.3 kms + barco<br />
D467 Descanso, Muang Ngoi Neua<br />
D468 Barco para Muang Khoua<br />
D469 ao D471 Descanso, Muang Khoua<br />
D472 Muang Mai 39.8 kms<br />
D473 Dien Bien Phu- 72.1 kms (Entrada no Vietnam)</p>
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		</item>
		<item>
		<title>Fotos Laos</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Apr 2013 16:13:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Joana Oliveira &#38; Nuno Pedrosa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Fotos]]></category>
		<category><![CDATA[Laos]]></category>

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		<description><![CDATA[]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[
<a href='https://globonautas.net/ultimas-fotos-laos/lao-01/'><img width="150" height="150" src="https://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/lao-01-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Cascatas de Khon Phapheng" /></a>
<a href='https://globonautas.net/ultimas-fotos-laos/lao-02/'><img width="150" height="150" src="https://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/lao-02-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Rio Mekong, Si Phan Don" /></a>
<a href='https://globonautas.net/ultimas-fotos-laos/lao-03/'><img width="150" height="150" src="https://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/lao-03-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Don Khong" /></a>
<a href='https://globonautas.net/ultimas-fotos-laos/lao-04/'><img width="150" height="150" src="https://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/lao-04-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Aldeia de Champasak" /></a>
<a href='https://globonautas.net/ultimas-fotos-laos/lao-05/'><img width="150" height="150" src="https://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/lao-05-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Wat Phu, Champasak" /></a>
<a href='https://globonautas.net/ultimas-fotos-laos/lao-06/'><img width="150" height="150" src="https://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/lao-06-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Cascatas de Tad Champi" /></a>
<a href='https://globonautas.net/ultimas-fotos-laos/lao-07/'><img width="150" height="150" src="https://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/lao-07-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Aldeia de Khoua Set" /></a>
<a href='https://globonautas.net/ultimas-fotos-laos/lao-08/'><img width="150" height="150" src="https://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/lao-08-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Aldeia de Tadlo" /></a>
<a href='https://globonautas.net/ultimas-fotos-laos/lao-09/'><img width="150" height="150" src="https://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/lao-09-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Província de Savannakhet" /></a>
<a href='https://globonautas.net/ultimas-fotos-laos/lao-10/'><img width="150" height="150" src="https://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/lao-10-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Savannakhet" /></a>
<a href='https://globonautas.net/ultimas-fotos-laos/lao-11/'><img width="150" height="150" src="https://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/lao-11-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Cidade de Thakek" /></a>
<a href='https://globonautas.net/ultimas-fotos-laos/lao-12/'><img width="150" height="150" src="https://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/lao-12-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Hora da sesta" /></a>
<a href='https://globonautas.net/ultimas-fotos-laos/lao-13/'><img width="150" height="150" src="https://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/lao-13-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Barcos bomba, Aldeia de Tha Bak" /></a>
<a href='https://globonautas.net/ultimas-fotos-laos/lao-14/'><img width="150" height="150" src="https://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/lao-14-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="O nosso acampamento algures no Sul do Laos" /></a>
<a href='https://globonautas.net/ultimas-fotos-laos/lao-15/'><img width="150" height="150" src="https://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/lao-15-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Gruta de Konglor" /></a>
<a href='https://globonautas.net/ultimas-fotos-laos/lao-16/'><img width="150" height="150" src="https://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/lao-16-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Encontros na estrada" /></a>
<a href='https://globonautas.net/ultimas-fotos-laos/lao-17/'><img width="150" height="150" src="https://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/lao-17-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Thakek Loop" /></a>
<a href='https://globonautas.net/ultimas-fotos-laos/lao-18/'><img width="150" height="150" src="https://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/lao-18-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Mercado de Ban Lao" /></a>
<a href='https://globonautas.net/ultimas-fotos-laos/lao-19/'><img width="150" height="150" src="https://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/lao-19-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Mercado de Ban Lao" /></a>
<a href='https://globonautas.net/ultimas-fotos-laos/lao-20/'><img width="150" height="150" src="https://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/lao-20-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Mercado de Lak Sao" /></a>
<a href='https://globonautas.net/ultimas-fotos-laos/lao-21/'><img width="150" height="150" src="https://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/lao-21-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Patuxai, Vientiane" /></a>
<a href='https://globonautas.net/ultimas-fotos-laos/lao-22/'><img width="150" height="150" src="https://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/lao-22-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Wat Pha That Luang, Vientiane" /></a>
<a href='https://globonautas.net/ultimas-fotos-laos/lao-23/'><img width="150" height="150" src="https://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/lao-23-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Morning Market, Vientiane" /></a>
<a href='https://globonautas.net/ultimas-fotos-laos/lao-24/'><img width="150" height="150" src="https://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/lao-24-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Grutas de Tham Sang Kham, Vang Vieng" /></a>
<a href='https://globonautas.net/ultimas-fotos-laos/lao-25/'><img width="150" height="150" src="https://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/lao-25-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Vang Vieng" /></a>
<a href='https://globonautas.net/ultimas-fotos-laos/lao-26/'><img width="150" height="150" src="https://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/lao-26-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="A incrível história de Ludo Linden" /></a>
<a href='https://globonautas.net/ultimas-fotos-laos/lao-27/'><img width="150" height="150" src="https://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/lao-27-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Estrada nacional 13" /></a>
<a href='https://globonautas.net/ultimas-fotos-laos/lao-27a/'><img width="150" height="150" src="https://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/lao-27a-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="EN13 entre Vang Vieng e Luang Prabang" /></a>
<a href='https://globonautas.net/ultimas-fotos-laos/lao-28/'><img width="150" height="150" src="https://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/lao-28-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Luang Prabang" /></a>
<a href='https://globonautas.net/ultimas-fotos-laos/lao-29/'><img width="150" height="150" src="https://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/lao-29-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Luang Prabang" /></a>
<a href='https://globonautas.net/ultimas-fotos-laos/lao-30/'><img width="150" height="150" src="https://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/lao-30-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Wat Pha Mahathat" /></a>
<a href='https://globonautas.net/ultimas-fotos-laos/lao-31/'><img width="150" height="150" src="https://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/lao-31-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Luang Prabang" /></a>
<a href='https://globonautas.net/ultimas-fotos-laos/lao-32/'><img width="150" height="150" src="https://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/lao-32-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Ho Kham, Museu do Palácio Real" /></a>
<a href='https://globonautas.net/ultimas-fotos-laos/lao-33/'><img width="150" height="150" src="https://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/lao-33-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Mercados de Luang Prabang" /></a>
<a href='https://globonautas.net/ultimas-fotos-laos/lao-34/'><img width="150" height="150" src="https://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/lao-34-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Pii Mai, celebrações do ano novo Budista em Luang Prabang" /></a>
<a href='https://globonautas.net/ultimas-fotos-laos/lao-35/'><img width="150" height="150" src="https://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/lao-35-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Água com fartura nas celebrações do Pii Mai" /></a>
<a href='https://globonautas.net/ultimas-fotos-laos/lao-36/'><img width="150" height="150" src="https://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/lao-36-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Muang Ngoi Neua" /></a>
<a href='https://globonautas.net/ultimas-fotos-laos/lao-37/'><img width="150" height="150" src="https://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/lao-37-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Muang Khoua" /></a>

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		<title>No Laos pelas entranhas</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Apr 2013 15:16:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Joana Oliveira &#38; Nuno Pedrosa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Histórias da estrada]]></category>
		<category><![CDATA[Laos]]></category>

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		<description><![CDATA[Bocas que falam línguas distantes, dialectos íntimos, sorriem, aprovam, desaprovam. Olhares que falam também na pele rasgada que lhes enquadra os olhos – é o universo da troca. Da troca de risos, de palavras, de sons, de olhares, de produtos, de dinheiro.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<h2>Konglor – viagem ao centro da terra</h2>
<p><a data-postid="fsg_post_352" data-imgid="354" href="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/konglor_barcos.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-354" alt="konglor_barcos" src="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/konglor_barcos.jpg" width="800" height="533" /></a></p>
<p>E o mundo desapareceu. Ou nós desaparecemos, engolidos pelo mundo. A grande boca de montanha que regurgitava um rio, recebia a luz seca do dia que lhe iluminava o interior, revelando as entranhas esverdeadas e cinzentas &#8211; a cor das rochas que a revestia. Mas depois da primeira curva, tudo se fez escuro, e não fosse a luz fraca dos frontais do rapaz no leme-motor que ia na parte de trás da embarcação e do seu ajudante que ia à frente como farol, o que se via era o nada da escuridão iluminado momentaneamente por faixas de luz ténues que revelavam formações calcárias que mudavam de forma com o bruxulear das luzes. Mesmo na escuridão, nas possibilidades do que não víamos, aquilo era opulento – um rio que atravessa uma montanha percorrendo sete quilómetros nas suas vísceras &#8211; a Natureza é esmagadora e as suas criações derradeiras!</p>
<p>A gruta de Konglor é a mais impressionante em que alguma vez entrámos. Ambos tivemos esta sensação assim que a sua escuridão nos abraçou e os sentidos se fixaram no silêncio apenas interrompido pelo cintilar da água debaixo do pequeno barco que nos levava, do seu motor e dos ecos. Quando voltámos a ver a luz do dia sob os penhascos vertiginosos forrados a selva que havia do outro lado, as palavras ainda não haviam encontrado a rota das nossas sensações. Emitimos apenas um incompleto – Uau! Depois voltámos a entrar terra adentro, de regresso, e a sensação, mesmo já sabendo o que nos esperava, voltou a ser pungente. Acho que podíamos fazer aquele percurso mais de mil vezes e a mesmerização seria igual.</p>
<p><a data-postid="fsg_post_352" data-imgid="355" href="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/seres_grotescos.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-355" alt="seres_grotescos" src="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/seres_grotescos.jpg" width="1000" height="667" /></a></p>
<h2>Outras viagens no circuito de Thakeke</h2>
<p>O circuito de Thakeke foi-nos recomendado por um ciclista Inglês que conhecemos nos últimos dias no Camboja, o Ian, que já havia pedalado o país de “lés-a-lés”. Para seguir esta rota há que fazer um desvio da estrada principal, em Thakeke, daí o nome, e rumar para Noroeste por uma estrada que nos transporta para uma área remota, pontilhada por formações cársicas, montanhas e povoações distantes. Foram 369 quilómetros que na sua breve dimensão revelaram mais do que a beleza óbvia da paisagem. Foi como se inadvertidamente entrássemos teatro adentro, subíssemos ao palco, e conscientemente fossemos espreitar o que se passava atrás do cenário, construindo uma visão mais completa da peça que estava em cena.</p>
<p>Nos primeiros quilómetros tem-se a ilusão de que se está num sonho, o ar coberto por uma bruma constante que dá a sensação que aquele não é um plano real, a realidade tem mais definição, mais nitidez, e depois há a simplicidade da vida humana, ilusória, e a complexidade do mundo natural (embora a realidade seja ao contrário). Parece que as pessoas vivem com o contentamento da parte que lhes toca da vida, sobretudo do que se tira à terra, um ou outro conforto, mas sobretudo dos laços que se forjam com a família e os vizinhos. O tempo depois do tempo que os campos requerem passa-se em celebrações. Celebram-se casamentos e outras alegrias que a cerveja e o Laolao (aguardente de arroz local) são baratos e abundantes e as terras descansam no calor da época seca.</p>
<p>Das reentrâncias da terra, fazem-se altares íntimos: grutas onde se veneram budas e seres grotescos. Bandeiras coloridas esbracejam ao vento, o fumo estreito do incenso rodopia, e pendura-se dinheiro em apetrechos decorativos dourados. Venera-se a vida como ela é entendida e aceite e projectam-se desejos e ambições. Se há boa sorte ou não, para os olhares desprevenidos, é fácil acreditar que sim. Os rios seguem livres, neles lavam-se os suores do dia e renova-se a alma nas águas cálidas. As crianças sorriem e vêem às portas dizer adeus. Tudo é perfeição na terra onde os penhascos verdejantes recortam os céus. Ou quase.</p>
<p><a data-postid="fsg_post_352" data-imgid="356" href="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/agua_livre.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-356" alt="agua_livre" src="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/agua_livre.jpg" width="800" height="453" /></a></p>
<h2>Nos bastidores do Laos</h2>
<p>Algo muda na paisagem que readquire nitidez e clareza, até a bruma parece desaparecer. Atravessa-se uma ponte onde começa um gradeamento de arame que se estende por vários quilómetros e que interdita o acesso a um grande reservatório de água em que se transformou o rio livre ao lado do qual pedalávamos. Três búfalos olham incrédulos o grande lago que têm diante de si, o qual não podem aceder. Em seu redor, nada existe onde possam ir matar a sede e refrescar os seus corpos volumosos. A água das redondezas, sobretudo agora que é época seca, está enclausurada naquele reservatório inacessível.</p>
<p>Avança-se por uma estrada recentemente atapetada com uma camada fina de alcatrão e chega-se a uma barragem – a Nam Theum 2. Porque há mais. Neste complexo hidroeléctrico vêem-se inscrições em caracteres chineses. Mas aqui não se trata de um fenómeno local de poliglotismo. Bem pelo contrário. A barragem foi construída pelos chineses, companheiros de políticas e ideais comunistas. E é a grande China com desígnios disfarçados de altruísmo que envia para aqui trabalhadores,<br />
engenheiros e empresas nacionais de construção. Tudo em prol do progresso, da modernidade, da melhoria dos meios de comunicação. De que país, é que é algo debatível.</p>
<p>Segue-se uma subida curta e árdua, onde os nossos corpos se transformaram em torneiras de onde sai suor a jorros. No final, chegamos a mais uma aldeias onde comemos uma sopa de noodles. Sim, estamos nos bastidores de uma peça teatral que decorre ao ritmo das nossas pedaladas. Uma peça não encenada e nunca repetida – a da vida real deste país.</p>
<p><a data-postid="fsg_post_352" data-imgid="357" href="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/floresta_fantasmagorica.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-357" alt="floresta_fantasmagorica" src="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/floresta_fantasmagorica.jpg" width="1000" height="667" /></a></p>
<h2>Laos: segundo acto</h2>
<p>Do meu lado esquerdo existe uma selva pristina, das primeiras que vemos no país, interrompida por uma estrada poeirenta, branca e ondulante que trabalhadores preparam para alcatroar. Pedalamos, curva e contra curva, e do nosso lado direito, no topo do que é agora um grande planalto, surge um lago imenso, do qual não vislumbramos as margens opostas. Dentro dele ergue-se uma floresta semi submersa, fantasmagórica, onde o reflexo das águas repete como um eco indesejado, a tristeza do que se vê – a selva que na impossibilidade de escapar, ficou ali presa, morrendo uma morte lenta. É mais um reservatório de uma barragem, a Nam Theum 1. A selva viva desaparece eventualmente e tudo o que nos rodeia é aquele lago gótico de águas serenas assombradas por árvores esqueleto. É algo morbidamente belo &#8211; o silêncio, a ausência de som, de vida, de cor.</p>
<p>A estrada vai deteriorando. Por ela passam maquinaria e muitos camiões com troncos enormes avermelhados. Um está atolado impossibilitado de avançar. Outro, despistou-se e há troncos espalhados pela encosta da montanha, como se a natureza pudesse jogar ainda algumas cartadas neste jogo disléxico, onde parece estar a perder…</p>
<p><a data-postid="fsg_post_352" data-imgid="358" href="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/mercado_laksao.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-358" alt="mercado_laksao" src="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/mercado_laksao.jpg" width="800" height="569" /></a></p>
<h2>O quilómetro 20</h2>
<p>Deixámos o planalto por uma descida precária chegando a meio da tarde à cidade de Laksao. Este emaranhado de construções de cimento, azáfama e poeira, brotado do meio remoto das montanhas, explica-se de forma simples e com duas palavras: ganância e corrupção. Laksao significa quilómetro vinte. Esta cidade relâmpago, onde até o próprio nome foi escolhido à pressa, nasceu do sangramento da selva que a circunda, para o país vizinho, o Vietnam. Os que fizeram fortunas desta forma nem sequer eram dali. Políticos da capital, diz que. Por isso, agora que não há tantas árvores para cortar, a gente, que na maioria continua essencialmente na mesma, na sua pobreza e na sua simplicidade, já se deve ter conformado com o facto da bonança não ser um direito de todos. E como “não vale a pena chorar sobre o leite derramado” e a vida continua, faz-se isso mesmo – continuar a viver.</p>
<p>Em Laksao fomos ao mercado comprar provisões para o jantar dessa noite. Em poucos sítios se experiencia a vida local com tanto realismo e vivacidade. Mesmo sendo só uma das facetas da vida destas gentes, é uma faceta primordial. As bancadas, que se transformam em camas bem chegando o meio-dia e em a clientela começando a escassear, depois da sesta, renascem. Os produtos parecem ganhar nova cor, e até as moscas regressam com intensidade renovada.</p>
<p>Aos produtos convencionais e familiares para os nossos olhos europeus, juntam-se animais ainda vivos ou em estados distintos de mortandade, frutos e vegetais estranhos, que não sabemos se são frutos ou vegetais. Os cheiros são tão intensos e díspares que em fracções de segundos tanto se abrem os apetites, quer seja com uma espetada de carne suculenta a assar na brasa, uma fruta exótica de cheiros adocicados, como se tem vontade de deitar o almoço borda fora, com os odores do lixo que apodrece no chão, do peixe decomposto, e até de alguns produtos bizarros e disformes que se encontram à venda.</p>
<p>E as pessoas são de todas as idades. Novas, velhas, homens e mulheres, mas sobretudo mulheres. Mãos que agarram fruta, cortam carne, escamam peixe, agarram dinheiro, entregam sacos de plástico com os ingredientes de refeições futuras. Bocas que falam línguas distantes, dialectos íntimos, sorriem, aprovam, desaprovam. Olhares que falam também na pele rasgada que lhes enquadra os olhos – é o universo da troca. Da troca de risos, de palavras, de sons, de olhares, de produtos, de dinheiro.</p>
<p>Nessa noite pendurámos as redes numa construção de palha afastada da estrada, onde os campos secos descasavam. Cozinhámos os vegetais que comprámos no mercado com arroz. Adormecemos sob o olhar abstracto das estrelas e fomos acordados às quatro e meia da manhã pelo som surreal das colunas de um vizinho invisível, que bombavam à potencia máxima &#8211; e era muita, as batidas do “Gagnam Style”, claramente a banda sonora oficial da nossa passagem pela ásia. Pelo menos o vizinho invisível desligou as colunas quando saiu de casa para mais um dia de trabalho e podemos voltar a adormecer embrulhados na bruma fresca da manhã.</p>
<p><a data-postid="fsg_post_352" data-imgid="359" href="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/barcos_bomba.jpg"><img class=" wp-image-359 alignleft" alt="barcos_bomba" src="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/barcos_bomba.jpg" width="370" /></a></p>
<h2>Uma guerra secreta</h2>
<p>Despertámos de manhã bem cedo e seguimos nas nossas bicicletas, montanha acima, montanha abaixo. Ao fim da manhã atravessámos uma ponte de mais uma aldeia bucólica nas margens do rio Nam Theum e parámos para observar os barcos atracados nas margens &#8211; na estranheza e familiaridade da sua forma. Uma inspecção mais próxima revelou algo bizarro: são feitos com o casco de bombas, das 260 milhões que os Americanos deixaram cair na sua guerra secreta contra o país.</p>
<p>E eis alguns factos interessantes sobre o Laos que depois de vermos estas bombas atracadas inocentemente nas margens serena do rio nos levou a descobrir alguns factos que aqui partilhamos sem grandes devaneios, porque são desnecessários.</p>
<p>&#8211; O Laos foi o país do mundo mais bombardeado.<br />
&#8211; Entre 1964 e 1973, as bombas que lá caíram fazem com que em média um B-52 descarrega-se a sua carga nefasta sobre a paisagem a cada oito minutos.<br />
&#8211; O Laos não estava em guerra e não havia declarado guerra a nenhuma nação. Fazia fronteira com a China e o Vietname, e sob o receio de que os ideais comunistas se alastrassem, os Estados Unidos decidiram embarcar numa guerra secreta contra este país.<br />
&#8211; Estima-se que um terço das bombas estejam ainda por explodir, que 37 por cento da terra arável esteja ainda contaminada, e que quatro quintos da população viva desta – da terra.<br />
&#8211; Mais de 20,000 pessoas já morreram como consequência de munições que não explodiram, depois dos bombardeamentos terem terminado, sem falar nas que não morreram mas às quais faltam braços, pernas e sobretudo, esperança.<br />
&#8211; Os Estados Unidos gastaram tantos fundos em três dias de bombardeamentos nos Laos, como o que gastaram nos últimos 16 anos na limpeza das munições por explodir.<br />
&#8211; E só a título de remate: depois de os Estados Unidos saírem derrotados contra o Vietname, o Laos tornou-se num país comunista. Ainda o é até aos dias de hoje.</p>
<p>E por aqui nos ficamos, de regresso às paisagens pristinas, aos penhascos de calcário, às subidas dolorosas, às grutas enigmáticas e silenciosas, um bom local para lavar a alma e reciclar pensamentos, voltando à ilusão de que tudo é perfeito. Tem que ser, as pessoas afinal ainda não se esqueceram de sorrir. Chegámos à gruta de Konglor que nos levou às entranhas da terra. Ao silêncio e à paz, restauradoras.</p>
<p>Para os que ficaram com curiosidade de saber mais sobre a guerra secreta dos Estados Unidos no Laos recomendo que dêem uma vista de olhos nestes links:</p>
<p><a href="http://legaciesofwar.org/about-laos/secret-war-laos/" target="_blank">http://legaciesofwar.org/about-laos/secret-war-laos/</a><br />
<a href="http://www.guardian.co.uk/world/2008/dec/03/laos-cluster-bombs-uxo-deaths" target="_blank">http://www.guardian.co.uk/world/2008/dec/03/laos-cluster-bombs-uxo-deaths</a></p>
<p><a data-postid="fsg_post_352" data-imgid="360" href="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/vientiene.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-360" alt="vientiene" src="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/vientiene.jpg" width="800" height="439" /></a></p>
<h2>Chegada à capital mais tranquila do Sudoeste Asiático – Vientiane</h2>
<p>Parecia que a cidade estava de férias. Parecia Paris em Agosto, quando os parisienses debandam e vão em viagem deixando a cidade entregue aos turistas. Mas ali nem mesmo os turistas eram muitos. O trânsito era ordeiro e os carros e as motos aparentavam não vir equipados com apitos. Mas é assim em Vientiane, a capital tranquila e pacata do Laos. Uma cidade que parece não pertencer ao país à qual preside, nas suas grandes avenidas, que relembram os boulevards da velha Europa, com canteiros arranjados, grandes rotundas, como pontos finais das rectas que são as ruas principais.</p>
<p>Aqui chegámos com uma missão, cujo sucesso, determinaria a rota das nossas pedaladas – conseguir visto para o Vietnam e para a China. Foi sobretudo uma missão cara e morosa: ao todo só em vistos e extensões gastámos mais de 120 euros cada um – o preço do sucesso.</p>
<p>Mas a semana que ali passámos à espera dos vistos, mesmo que pegajosamente quente, passou a correr. O Jorge, o nosso amigo e viajante português, que tínhamos conhecido em Thakeke antes de fazer o circuito, juntou-se a nós, também com a missão de obter o visto para a China. E a “guest-house” onde ficámos, a Syri 1, com a sua atmosfera vintage-colonial, foi o poiso perfeito para os nossos “tête-à-tête”. Até uma feijoada ali cozinhámos, que eu infelizmente estraguei com a adição de folhas de “lima-kefir” por achar que podiam fazer as vezes de umas folhitas de louro. O resultado foi uma espécie de guisado oriental, muito próximo dos sabores que pretendíamos precisamente evitar. Enfim, valeu a garrafa de vinho chileno que o Jorge comprou e da felicidade de estarmos de novo entre amigos em terra alheia a partilhar a língua mãe.</p>
<p>Para quem sente que ainda não viu templos budistas suficientes, Vientiane é o sítio perfeito, são mais de cem. Mas existem outros atractivos: Patuxai &#8211; um arco do triunfo, versão oriental, feito com o cimento que os Americanos deixaram para trás com a intenção falhada da construção de um novo aeroporto. E existe a cidade em si. Outra, nas margens do Mekong, que se enche de “Jane Fondas” a queimar calorias, com paços aeróbicos coordenados ao som da batida de música de “carrinhos de choque” &#8211; possivelmente dos poucos sítios no país onde chegámos a ponderar que a Beerlao da ordem, talvez não fosse a opção mais saudável.</p>
<p>Seguiríamos rumo a norte, rumo às montanhas e rumo à nossa saída do país. Com muito ainda para descobrir e pedalar.</p>
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		<title>Laos – Ir ou ficar ? &#8211; Eis a questão</title>
		<link>https://globonautas.net/laos-ir-ou-ficar-eis-a-questao/</link>
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		<pubDate>Sat, 30 Mar 2013 14:57:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Joana Oliveira &#38; Nuno Pedrosa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Histórias da estrada]]></category>
		<category><![CDATA[Laos]]></category>

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		<description><![CDATA[É curioso que nestas andanças de viajantes sintamos o desejo de unir extremos opostos do mundo, como se ao fazê-lo uníssemos os nossos antagonismos, ou pelo menos chegássemos até eles, e os aceitássemos como parte do nosso mapa pessoal.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<h2>As indecisões afinal são mera obra do destino</h2>
<p><a data-postid="fsg_post_343" data-imgid="345" href="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/ir_ou_ficar_outro.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-345" alt="ir_ou_ficar_outro" src="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/ir_ou_ficar_outro.jpg" width="800" height="454" /></a></p>
<p>Quando se viaja os impasses e as indecisões são frequentes. Ficamos ou vamos? Comemos aqui ou ali? Vemos isto ou aquilo? Mas há vezes, não são muitas, em que os impasses nos fazem ganhar tempo, como se algo tivesse para acontecer, e se pudessem assim criar as condições necessárias para o tornar possível.</p>
<p>Chegámos a Thakek no final da manhã, era ainda cedo para terminar um dia de ciclismo. Como a cidade nos pareceu agradável, mas não querendo usar esse facto para desculpar um dia curto, combinámos que se encontrássemos alojamento barato, ficaríamos. Se não, avançávamos. Não encontrámos o que buscávamos e íamos já estrada fora quando vimos uma placa a indicar mais um hostal.</p>
<p>Dissemos um para o outro– “ok, só mais este, se não, seguimos”. O sítio era simpático mas os preços acima do que desejávamos pagar. Já decididos a partir, parámos para dar uma vista de olhos nuns cadernos com informação da área deixada por outros viajantes, quando um viajante se aproximou e começou a partilhar as suas experiências connosco em Inglês. Empenhado que estava nas descrições dos seus percalços, tinha caído na motoreta alugada e as marcas na sua mão e joelho eram bem gráficas, tivemos que aguardar com ansiedade que terminasse de contar a sua peripécia para o interromper e perguntar de onde era. O seu sotaque soava-nos estranhamente familiar. E pudera -era mais um andarilho luso.</p>
<p><a data-postid="fsg_post_343" data-imgid="346" href="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/jorge_possivel.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-346" alt="jorge_possivel" src="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/jorge_possivel.jpg" width="792" height="600" /></a></p>
<h2>Tanto Mundo para o Jorge</h2>
<p>Conversa agora na língua certa, ficámos a conhecer o Jorge Montez. Um homem rapaz que leva consigo um brilho no olhar e um ar tão gaiato, que não fossem alguns cabelos brancos e umas linhas de expressão, era fácil imaginar que os seus vinte anos não tivessem sido há muito tempo.</p>
<p>E talvez seja esse o segredo, o de saber que nunca é tarde para realizar os sonhos, que no seu caso é fazer o que não teve oportunidade de fazer quando era mais novo – ter viajado mais. “ Há tanto mundo que quero ver!”. As coisas em Portugal também não estão propriamente brilhantes, por isso, em vez de se comiserar decidiu fazer-se à estrada, deixando para trás a Fátima, a mulher, e o Miguel, o filho, dos quais fala com muito amor e saudade. Mas deixar não é a palavra certa, aqueles a quem se ama, vêem e viajam connosco também. A distância encurta-se diariamente, ao toque de um telefonema.</p>
<p>Nesta etapa, do que é agora a sua vida como viajante, está unir dois pontos opostos, o Cabo da Roca a Vladivostock &#8211; o ponto mais ocidental e a cidade mais oriental da Eurásia. É curioso que nestas andanças de viajantes sintamos o desejo de unir extremos opostos do mundo, como se ao fazê-lo uníssemos os nossos antagonismos, ou pelo menos chegássemos até eles, e os aceitássemos como parte do nosso mapa pessoal.</p>
<p>Jornalista de profissão, esta vida proporciona-lhe também o prazer de contar histórias, e sobretudo, de as viver na primeira pessoa. São histórias que o mundo lhe vai revelando ao ritmo das pessoas que vai conhecendo, das coisas únicas e banais que vão surgindo, dos países cujos carimbos vão ficando marcados no seu passaporte, mas sobretudo na sua memoria. E as suas palavras tocam pela humanidade e sensibilidade. As horas pareceram-nos minutos na sua companhia.</p>
<p>&#8211; Acho que é melhor vermos se ainda temos quarto, interrompeu o Nuno, já a luz do dia nos indicava que dali já não iríamos a lado nenhum.</p>
<p>Havia quarto e mesmo que o seu custo fosse acima do que queríamos pagar, pareceu-nos um detalhe supérfluo, sobretudo quando terminávamos o dia em tão boa companhia. Partilhámos as cervejas, o jantar de rua, um fim de tarde alaranjado nas margens do grande rio companheiro e mais umas horas de conversa que se estenderam pela noite.</p>
<p>Na manhã seguinte, partilhámos também o pequeno- almoço e a promessa de que nos voltaríamos a encontrar, no Vietnam certamente. Mal sabíamos nós que, por vias de mais um feliz acaso, o reencontro seria bem mais cedo do que o esperado.</p>
<p>Para acompanhar as aventuras do Jorge:<br />
<a href="http://tsf.pt/blogs/viagemdecomboio" target="_blank">tsf.pt/blogs/viagemdecomboio</a><br />
<a href="http://tantomundo.com" target="_blank">tantomundo.com</a><br />
<a href="http://justabackpacker.com" target="_blank">justabackpacker.com</a></p>
<p><a data-postid="fsg_post_343" data-imgid="347" href="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/nuno_lama.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-347" alt="nuno_lama" src="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/nuno_lama.jpg" width="800" height="534" /></a></p>
<h2>De Tad Lo a Savannaket – por estradas menos viajadas</h2>
<p>No dia em que deixámos Tad Lo a chuva apareceu nas primeiras horas da manhã fazendo tentador a hipótese de ficarmos mais um dia. Mas já lá iam três e ficar mais era pura preguiça. Decidimos seguir, quanto mais não fosse porque assim o calor nos daria uma trégua e as nossas pedaladas seriam, mesmo que molhadas, bem mais toleráveis.</p>
<p>Queríamos regressar à estrada principal a EN13, sem termos que regressar a Paksé e depois de algumas tentativas falhadas, onde os locais nos apontaram para os cruzamentos errados, mais para se verem livres de nós na incapacidade mútua da comunicação, do que propriamente para nos enganarem, lá demos com o corte.</p>
<p>Já na estrada certa, que mais não era do que uma linha de lama com mais de 20 quilómetros, os carros e as motos, alguns atolados, tentavam seguir vagarosamente. Pareciam patinadores numa dança descoordenada. Juntámo-nos ao bailado avançando lentamente e muitas vezes a empurrar, tendo que parar com frequência para tirar a lama que se entranhava nas bikes e que se transformava em travão indesejado. Acabámos o dia em Muang Klong Xedon, já em alcatrão firme, numa oficina de limpeza a jacto, uma das muitas que proliferavam na aldeia.</p>
<p><a data-postid="fsg_post_343" data-imgid="348" href="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/savannaket.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-348" alt="savannaket" src="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/savannaket.jpg" width="800" height="534" /></a></p>
<h2>Mais uma cidade nas margens do Mekong</h2>
<p>De Muang Klong Xedon a Savannakete foram dois dias e 164 quilómetros de pedaladas ao longo da estrada principal a EN13, que se revelou algo monótona na sua longa linha de alcatrão e povoações de beira de estrada.</p>
<p>Savannakete é uma cidade agradável e genuína &#8211; no nosso português, genuíno quer dizer não muito alterada pelo turismo. No seu centro existe uma praça rodeada por edifícios coloniais franceses, alguns restaurados, outros decrépitos. Lojas-casa chinesas, onde é difícil definir onde acaba o espaço comum, que é a loja, e o espaço privado, que é a casa. Há também uma igreja, testemunho de uma crença que por aqui é menos comum. A combinação, mesmo que pouco usual, resultava. À noite, quando por lá passámos, os pequenos restaurantes de rua afloraram vindos do nada libertando odores a carnes cozidas em caldos aromáticos e a frutas para batidos revigorantes. As famílias percorriam as ruelas estreitas de encontro à praceta, embaladas pelas aragens mais temperadas do fim da tarde, um segundo sopro de vida no decorrer do dia.</p>
<p>Nas margens do rio Mekong a já usual proliferação de esplanadas improvisadas onde o mote do final do dia é uma Beerlao fresquinha.</p>
<p><a data-postid="fsg_post_343" data-imgid="349" href="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/acampamento_templo.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-349" alt="acampamento_templo" src="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/acampamento_templo.jpg" width="800" height="405" /></a></p>
<h2>De Savannakete a Thakek – pela estrada do rio</h2>
<p>De Savannakete optámos por seguir uma estrada secundária nas margens do Mekong. Os camiões e os carros, que não são muitos mesmo na estrada principal, desapareceram quase por completo e na sua ausência, pedalámos por uma estrada ondulante semi deserta e tranquila. Os arrozais intercalavam com as plantações de árvore de borracha, onde ao início da tarde pendurámos as redes para deixar a moleza tomar conta dos nossos corpos por um par de horas.</p>
<p>Já as brisas do meio da tarde se faziam sentir quando regressámos à estrada. Parámos para comprar uma papaia, uns feijões-verdes e duas curgetes a três raparigas sentadas à beira do caminho. As margens do Mekong são fonte de vida, delas brotam campos férteis de cultivo e pequenas povoações e as probabilidades de encontrar um lugar tranquilo para montar a tenda eram pouco prováveis, na ausência de turistas, alojamento também não parecia existir.</p>
<p>Passámos por um templo simples, sinal de que as donações ali não seriam as mais generosas, e pedimos autorização a um monge velhote que fumava um cigarro a seguir ao outro e que não falava inglês, se podíamos ali pernoitar. No seu assentimento montámos a tenda na parte de trás do templo, onde havia uma grande árvore sagrada. Ali cozinhámos e comemos, observando o Mekong a tilintar no dourado do sol poente. Despertámos ao toque dos primeiros gongos da alvorada e depois do pequeno-almoço de Nestum com papaia, seguimos os restantes 52 quilómetros até Thakek.</p>
<p>Em Thakek daríamos início a uma das etapas mais espectaculares do Laos que nos iria levar e às nossas bicicletas até às entranhas deste país – o circuito de Thakeke.</p>
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		<title>Laos doce Laos</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Mar 2013 14:43:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Joana Oliveira &#38; Nuno Pedrosa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Histórias da estrada]]></category>
		<category><![CDATA[Laos]]></category>

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		<description><![CDATA[Saba, significa dia, e dee, bom. Música para os nossos ouvidos, o enrolar do s e o prolongar dos ees. Proferidos com tanto entusiasmo, por pequenos e graúdos, que sentíamos que mais do que curiosidade, esta gente estava contente de nos ter no seu país.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<h2>Sabadee – o cumprimento mais bonito</h2>
<p><a data-postid="fsg_post_334" data-imgid="336" href="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/cascatas.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-336" alt="cascatas" src="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/cascatas.jpg" width="1000" height="619" /></a></p>
<p>A fronteira separa. A natureza une. E não fosse o facto de termos sido obrigados a parar para cumprir os deveres burocráticos de mais um posto fronteiriço, o oitavo, era fácil pensar que pedalávamos ainda no Camboja, nas suas planícies secas e cálidas, ao lado do Mekong.</p>
<p>Assim que cruzámos a linha imaginária que os homens usam para dividir a terra, os “hellos” foram substituídos pelos “sabadees”, que quer dizer bom dia. Saba, significa dia, e dee, bom. Música para os nossos ouvidos, o enrolar do s e o prolongar dos ees. Proferidos com tanto entusiasmo, por pequenos e graúdos, que sentíamos que mais do que curiosidade, esta gente estava contente de nos ter no seu país. Nunca nos cansaremos destes cumprimentos, deste não ser ignorado, esta vontade de gritar bons dias, que tem o efeito de um mantra &#8211; de tanto se repetir, acaba por acontecer. Os nossos dias no Laos iriam ser como nos desejavam: essencialmente bons.</p>
<p>Khon Phapheng, as cascatas com maior volume de água do Sudoeste Asiático, estavam a cerca de 5 quilómetros da fronteira, por isso fizemos um desvio para as ir ver. Uma falha no relevo que interrompe o Mekong e o obriga a despenhar-se ruidosamente por entre ilhas, rochas e declives, revelando a sua faceta de rio turbulento. E falha nossa, o facto de termos entrado no país sem moeda local, termos gasto os nossos últimos riels, a moeda do Camboja, e a impossibilidade de adquirir ou trocar dinheiro na fronteira de Dom Kralor que deve ter sido das mais tranquilas que atravessámos recentemente. Com a visita às cataratas quase impossibilitada, valeu a persistência do Nuno que obrigou literalmente, depois de muitas explicações e desculpas, o rapaz da bilheteira a deixar-nos entrar sem pagar. Por dez breves minutos.</p>
<p><a data-postid="fsg_post_334" data-imgid="337" href="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/don_det.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-337" alt="don_det" src="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/don_det.jpg" width="800" height="436" /></a></p>
<h2>As quatro mil ilhas do Mekong</h2>
<p>&#8211; Tem quarto?<br />
&#8211; Sim.<br />
&#8211; Quanto custa?<br />
&#8211; 60 mil kips.<br />
&#8211; Podemos ver?</p>
<p>Aguardámos pela resposta, ou que a senhora se levantasse para nos vir mostrar o quarto, mas a pausa na conversa começava a tornar-se desconfortável. Por isso voltámos a perguntar – e podemos ir ver?</p>
<p>A nossa interlocutora, uma mulher bonita de meia idade, estava deitada numa cama ao ar livre à sombra do telheiro da sua casa, mal se tinha mexido quando, como potenciais clientes, ali parámos à procura de alojamento.</p>
<p>Aliás, a cama deve de ser a peça de mobiliário mais prezada nas casas do Laos, está em proeminência, assim mesmo sem colchão, que isso só faz calor e ganha maus cheiros. Aqui o sofá é raridade. E sofás para quê quando se pode ir directamente ao assunto. Passar à posição horizontal quando o calor começa a apertar.</p>
<p>Mas a senhora continuava num estado semi comatoso, sem dar sinais de recuperação, por isso voltámos a esperar uns segundos, os quais nos deram tempo para considerar mentalmente que se calhar era melhor averiguar outro sítio, quando finalmente, com um movimento ínfimo do torso, um acenar de braço e um berro, chamou uma rapariga novita, que devia ser empregada, ou filha, que deixou o que estava a fazer, para ir mostrar o quarto aos “falang”.</p>
<p>Ficámos. Um bungalow em madeira, rústico e simples, com uma varanda e duas redes com vistas para a vida no Mekong nas suas diferentes facetas ao longo do dia, e uma janela traseira que enquadrava a vida insular, os seus campos secos, as stupas da família, as vacas vagarosas e as crianças catitas que por ali passavam de manhã com o uniforme escolar, à tarde com as roupas rotas e descalças &#8211; o uniforme da brincadeira. Não havia como não ficar. A seis euros por noite, o bungalow do Mr Phao´s era um pequeno luxo que, dadas as circunstâncias, podíamos suportar.</p>
<p>Don Det, uma das quatro mil ilhas do Mekong, é um pequeno éden de vida rural, recentemente redescoberto e reinventado como destino relaxado para mochileiros. Quando se chega, num dos barcos estreitos de madeira e a motor, desembarca-se numa praia fluvial pequeníssima onde os viajantes congregam tentando manter o bronze ganho nas praias da Tailândia. O primeiro quilómetro é uma rua estreita estapafúrdia e apertada, contornada por barracos que passam ora por hostéis, ora por restaurantes de colchões e almofadas a servirem de assento, com elementos sugestivos no menu tais como “happy pizzas” e “happy shakes”. Com ou sem aditivos, a vida ali é feliz e dada a tranquilidades. Para além de passear de bicicleta, ir visitar as outras ilhas, descer o rio em câmaras de ar, andar de barco, ir à pesca, ver a vida passar com uma Beerlao na mão, não há muito mais para fazer. E é perfeito assim.</p>
<p>Depois de quatro dias, partimos relutantemente. Tão relutantemente que decidimos avançar apenas 22 quilómetros, atravessar um “ferry” que mais não era do que duas canoas com umas madeiras a servir de união, e ir ver a vida de mais uma ilha, Don Kong. E como são quatro mil as ilhas, poder-se- ia dizer que são ilhas para todos os gostos. Se Don Det se adequa a um turista mais despreocupado e festeiro, já Don Khong, com o alojamento mais pretensioso e restaurantes carotes, se destina ao viajante para o qual uma casa de banho com água quente, e um quarto sem gretas na parede são essenciais. Partimos na manhã seguinte bem cedo, percorrendo a ilha até à sua ponta norte por onde a deixámos em mais um ferry com ar de canoa geminada.</p>
<p><a data-postid="fsg_post_334" data-imgid="338" href="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/wat_phou_champasak.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-338" alt="wat_phou_champasak" src="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/wat_phou_champasak.jpg" width="800" height="545" /></a></p>
<h2>Wat Pho Champasak – as mais importantes ruínas do país quase a título exclusivo</h2>
<p>Wat Pho pode não ter a monumentalidade dos seus rivais no Camboja, mas ainda assim vale bem a visita não só porque é o local arqueológico mais importante do país mas também pela ausência de turistas.</p>
<p>Metido na encosta de uma montanha, parte da primeira cordilheira que víamos em quase dois meses, com vistas para os campos de cultivo e as casas de madeira e bambu das povoações em redor. As escadarias íngremes, que pareciam peças de lego que um gigante apertou e tirou do sítio, eram ladeadas por filas de árvores de frangipani, cujo as flores brancas de pétalas redondas atapetavam o chão e perfumavam o ar.</p>
<p>Depois de visitarmos as ruínas de Wat Pho em Champasak, construídas num período pré-khmer e posteriormente alteradas para o estilo que imortalizou Angkor Wat, seguimos até Paksé.</p>
<p>Paksé é a terceira cidade mais populosa do país. Um aglomerado de edifícios de cimento com aspirações pomposas ao estilo neo-clássico-greco-romano-francófono, ou coisa parecida, na confluência dos rios Se Don e Mekong. Quando passámos estava “à pinha” e foi tarefa morosa e sem grande sucesso encontrar alojamento em conta. Esta cidade serve de ponto de distribuição de viajantes para o país vizinho, o Vietname, para as quatro mil ilhas, de onde tínhamos vindo, para o Norte do país,e também para o planalto de Bolaven, para onde íamos. Por esse motivo sobretudo, mesmo não oferecendo grandes razões para justificar a visita, turistas, viajantes e afins é o que não faltam nesta cidade.</p>
<p><a data-postid="fsg_post_334" data-imgid="339" href="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/caf_.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-339" alt="caf_" src="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/caf_.jpg" width="1000" height="705" /></a></p>
<h2>Café em flor no Planalto de Bolaven</h2>
<p>Ao longo da estrada, que subia suavemente sem causar cansaço nas pernas, não era tanto a paisagem circundante que animava os sentidos, na realidade sendo bastante povoada e algo descaracterizada esta era a parte menos interessante. Os aromas que se revelavam à medida que íamos avançando eram tão intensos que peculiarmente desejei poder ter a capacidade de pedalar a montanha de olhos vendados para ser transportada para as paisagens madrigalescas, algo distantes da realidade, que me traziam o cheiro dos cafezais em flor, um aroma que nunca havia experienciado antes. Eram paisagens de campos cobertos de jasmim, laranjeiras em flor, árvores de fruta madura. Odores tão frescos e frutados que quase contrabalançavam o calor que se fazia sentir e pigmentavam a paisagem amarelada, mesmo que imaginariamente.</p>
<p>O planalto de Bolaven é afamado por lá se cultivar o melhor café do Laos, e do mundo, segundo alguns. O pior também se lá produz infelizmente. O café que nas palavras de um amigo nosso espanhol que vive na Bolívia, o Daniel, lhe chama “no es café” – Nescafé e com muita razão.</p>
<p>Mas pelo menos no Bolaven só alguém distraído é que acaba com a versão imitada na chávena. Mesmo que seja cada vez mais difícil encontrar o verdadeiro café no resto do país, aqui pelo menos ainda é preparado da forma tradicional com um coador de pano e água bem quente, que depois resulta num líquido negro, espesso e forte servido num copo de vidro, com, ou sem dois dedos de leite condensado.</p>
<p>O sabor é tão intenso que vem geralmente acompanhado por outro copo de chá, como que para dar descanso às papilas gustativas e acalmar os sentidos. Mas para quem gosta de café forte e de sentir o sangue a correr nas veias como se tivesse sofrido um choque eléctrico, a versão laosiana é do melhorzinho que há, e nós, sempre que podemos, não perdemos a oportunidade de o saborear.</p>
<p>Mas nem só de café se vive neste planalto. Quedas de água abundam também. E estas, mesmo no auge da época secas, carregam consigo rios de água refrescante, criando oásis de vida por onde passam, oferecendo a pausa merecida para mergulhos e abrigo ao pior do calor do dia.</p>
<p><a data-postid="fsg_post_334" data-imgid="340" href="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/anivers_rio.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-340" alt="anivers_rio" src="http://globonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/anivers_rio.jpg" width="1000" height="641" /></a></p>
<h2>Em Tad Lo &#8211; Parabéns a você, feito de coisas boas</h2>
<p>“Não sei como é que fazes mas parece que as tuas malas estão cada vez mais cheias e mais difíceis de fechar a cada dia que passa”. Observou o Nuno com ar gozão, ao ver-me a empurrar o conteúdo dos meus alforges na tentativa de os fechar quando saímos de Paksé para fazer o desvio para o planalto de Bolaven. Sim estava com dificuldade de fechar os alforges. Tem razão sim senhor. Mas isso é porque sou uma namorada à maneira e porque estou a tentar enfiar lá dentro mais de três quilos e meio de presentes volumosos, para o aniversário de alguém. Posto isto e o facto de que iríamos pedalar a primeira montanha dos últimos três meses, tive que morder a língua para não estragar a supressa e dizer: toma lá, carrega tu meio quilo de Nutella, meio quilo de café, um quilo de farinha, 1 litro de vinho e meio quilo de velas, que não vendiam pacotes mais pequenos.</p>
<p>Em Tad Lo, uma aldeia de casas de madeira sobre palafitas, com uma sucessão de cascatas volumosas &#8211; local para mochileiros com poucos mochileiros, pude finalmente ver-me livre do peso que trazia nos alforges para grande surpresa do aniversariante, sobretudo quando viu aparecer do meio das minhas malas vermelhas a garrafa de vinho tinto chileno, um pacote de café do Laos e a embalagem de Nutella.</p>
<p>Ao fim do dia, depois de uns mergulhos, procurámos sítio para celebrar a ocasião. Encontrámo-lo na margem do rio entre cascatas. Pendurámos as redes, as nossas camas para a noite, agarrámos nos presentes, nas colunas, nos ingredientes que tínhamos comprado pelo caminho, encontrámos uma pedra grande na margem do rio que serviu de cozinha e sala de jantar, iluminámos a noite com as velas, pusemos o som da nossa música baixinho para não ofuscar o das cascatas, cozinhámos o jantar, e depois saboreámos e brindámos àquele momento, ao privilégio de o estarmos a viver na companhia um do outro e a mais um aniversário do Nuno na estrada. Na manhã seguinte o pequeno-almoço fez-se de panquecas recheadas com banana e Nutella, e café do Laos para o choque eléctrico do dia.</p>
<p>Nos próximos dias iríamos seguir pedalando rumo a Norte por estradas menos percorridas ao encontro de mais um andarilho luso.</p>
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